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Lingua presa

Língua presa

Por que falar um segundo idioma deixa algumas pessoas completamente sem assunto

Por Lina Molaris*

Inglês não é para mim"; "Tenho bloqueio"; "Já tentei de tudo: de aula particular a cursos regulares e nada deu certo". Estas frases não têm nada a ver com preguiça ou com incapacidade de aprender um outro idioma. Na verdade, quem diz isso está apenas expressando a ansiedade que sente em relação a esse assunto. Fiz um estudo com um grupo de alunos quando era professora da Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Descobri que, em muitos casos, a dificuldade de aprender está mais ligada a fatores afetivos do que à cognição propriamente dita. E o que é pior: a ansiedade que aparece nessas horas pode se tornar uma barreira praticamente intransponível. E tanto faz se as aulas são em grupo (no chamado contexto comunicativo­coletivo) ou individuais (contexto autodirecionado). Para alguns alunos a sala de aula é vista como um lugar em que se mostra conhecimento, e não como um local em que se aprende. Parece jogo de palavras, mas faz muita diferença. O medo de falar errado na frente dos colegas e do professor também não é a pior parte dessa história, mas, sim, o fato do aluno ser responsável pelo seu próprio aprendizado.

De acordo com Elaine Horwitz, doutora em lingüística aplicada pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, tremores, suor, taquicardia e até perturbações do sono são as reações mais freqüentes quando alguém que tem bloqueio para aprender outra língua precisa falar aquele idioma. E embora as causas variem, algumas são recorrentes. Por exemplo: para alguns, o medo de errar é o obstáculo central; para outros o que atrapalha é pensar na língua nativa ao falar o idioma estrangeiro. A dificuldade de discriminar sons também pode atrapalhar bastante.

Quebrar essa barreira de ansiedade depende muito da conduta do professor. É como se ele, investido temporariamente da condição de médico, realizasse uma anamnese para investigar o histórico lingüístico do aluno. A partir dessas informações, o professor pode tomar algumas providências para tentar diminuir o desconforto e a insegurança do aluno, facilitando o processo de assimilação da língua.

O aluno, por sua vez, deve tentar fazer uma auto-reflexão para descobrir o que o está travando. Além de estudar e de fazer exercícios, é preciso:

  • Correr riscos, porque os erros têm muito valor durante o processo de aprendizagem.
  • Expor-se durante a aula e no dia-a-dia, aproveitando as chances que aparecem de falar a língua que você está aprendendo.
  • Policiar-se para não pensar primeiro na língua materna antes de falar o outro idioma. Fazendo assim, você começa a exercitar dois aspectos fundamentais do aprendizado de outro idioma: além de entender qual é a lógica da língua, você aguça seus sentidos e consegue, por exemplo, perceber se determinada frase está correta ou não apenas "de ouvido", sem necessariamente saber que regra gramatical está por trás da explicação. Exatamente como acontece com a língua materna.

*Lina Molaris é sócia-diretora da Across In-company. Além do grego, sua língua materna, é fluente em inglês e português. E-mail: lina@acrossidiomas.com.br

 

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